
No próximo dia 14 de janeiro de 2012 comemora-se o 112º Aniversário do Instituto de Odivelas (Infante D. Afonso). Fica aqui um pouco da história do nosso colégio.
O Instituto de Odivelas (Infante D. Afonso) foi fundado pelo Infante D. Afonso Henriques, (1865 - 1920), Duque do Porto e Condestável do Reino, a 14 de janeiro de 1900.
A cerimónia de inauguração oficial foi presidida pelo Rei D. Carlos e contou com a presença da Família Real e de individualidades civis e militares. O ato oficial, com a assinatura do termo de inauguração, seguido de festa e de jantar, teve lugar no casa dos condes de Mossâmedes, na Estrada da Luz, em Lisboa. Igualmente ali, na chamada Casa da Luz, funcionou provisoriamente a escola, com 17 alunas, enquanto decorreram as obras no edifício do antigo Mosteiro de Odivelas. Em novembro de 1902, o Instituto Infante D. Affonso passou a funcionar nas instalações renovadas.

1. Da “iniciativa simpática” à inauguração.
Em 1898, um grupo de oficiais do Regimento n.º 1 de Infantaria da Rainha (D. Maria Pia) teve, de acordo com o jornal O Século de 27 de fevereiro, “uma iniciativa sympatica [e se] lembrou da fundação de um collégio para a educação das filhas de oficiais, nos mesmos termos do collégio militar”.
Também segundo a imprensa da época, “Foi um capitão d’esse regimento, o senhor Alfredo António Alves, quem alvitrou a fundação de um estabelecimento, analogo ao Colegio Militar, para educação e instrucção de filhas de officiaes, o qual, alem dos indispensáveis conhecimentos litterarios, desse ás educandas uma profissão honesta e em harmonia com a profissão dos paes.” E mais adiante: “… foi uma commissão solicitar da rainha D. Maria Pia, e de seu filho o infante D. Affonso, o patrocínio dos seus nomes e da sua influencia para a instituição nascente”. (Almanach Bertrand de 1903).
Entretanto, iniciaram-se os trabalhos preparatórios com a formação da Comissão Executiva, presidida pelo Infante D. Afonso, com vista à elaboração das bases dos Estatutos e à organização económica da futura instituição de ensino.

Ainda em 1898, a 4 de junho, a Rainha D. Maria Pia e o Infante D. Afonso visitaram o Mosteiro de Odivelas, edifício pedido ao Ministério da Fazenda para casa do futuro estabelecimento militar de ensino. Tal pedido acontecera dias antes, num ofício datado de 27 de maio onde o Infante D. Afonso indicava: “… edifício que muito convem seja o Convento de Odivellas, que magnificamente se presta aquelle fim." (Arquivo Histórico das Finanças – Institutos Religiosos, Freiras).
Por Decreto de 30 de maio de 1834 tinham sido extintas as Ordens Religiosas em Portugal e os bens dos mosteiros e conventos, quer masculinos, quer femininos, tornaram-se “bens da Fazenda Nacional”, ou seja, património do Estado. Em 1886, com a morte da última abadessa, o Mosteiro de Odivelas foi incorporado na Fazenda Nacional. Finalmente, a 6 de agosto de 1902 seria lavrado o auto de entrega do antigo convento, incluindo a propriedade rústica “Valle das Flores”, ao Instituto Infante D. Afonso.
A 9 de março de 1899, o Rei D. Carlos aprovou o Estatuto do Instituto Infante D. Afonso. Eis um excerto do seu Artigo 2º:
“Sob a protecção de Suas Magestades e Altezas é criado um colégio para instrução e educação de filhas (…) de oficiais combatentes e não combatentes da armada e dos exercitos do reyno e do ultramar, com a finalidade, (…) de dar as alunas a necessaria educação moral e religiosa, uma instrução geral e, alem disso, a instrução profissional que possa, de futuro, criar-lhes os precisos meios de subsistência.” (Ordem do Exército n.º 2 – 9 de março de 1899).
A criação do Instituto Infante D. Afonso teve, inicial e especialmente, como finalidade instruir e educar órfãs filhas de oficiais mortos em combate ou por doença. Com esse propósito fora, igualmente, criado o Real Colégio Militar, em 1803. Em França, já anteriormente, em 1807, tinha sido criado um colégio em Saint-Denis, próximo de Paris, a Maison d’ Éducation de La Légion d’Honneur, destinado às filhas dos oficiais franceses da Légion d’Honneur.
Os estatutos do colégio francês serão estudados e constituirão uma das fontes para a redação dos primeiros Estatutos do Instituto Infante D. Afonso. De referir que desde 1977, o IO e a MELH mantêm um intercâmbio anual, cultural e de línguas.
No dia 14 de janeiro de 1900 nasceu o Instituto Infante D. Afonso. O Conselheiro e General Luiz Augusto Pimentel Pinto foi o seu primeiro Diretor, (de 14 de janeiro de 1900 a 14 de outubro de 1911), e Albertina Lopes de Assis Gonçalves foi a Aluna nº 1.

2. Uma história viva.
Não é demais lembrar o testemunho de vida dedicado ao Instituto de Odivelas que é a antiga aluna e antiga funcionária Sra. D. Ilda Gonçalves Vieira que completou, no dia 22 de julho de 2011, 100 anos de idade e que entrou para esta escola com 7 anos de idade, no ano de 1919.
Para mais informação consultar Antigas Alunas no Menu Principal deste sítio.
3. De Instituto Infante D. Affonso a Instituto de Odivelas (Infante D. Afonso).
Ao longo dos tempos, mercê de diversas conjunturas políticas e socioeconómicas e, consequentemente, de variadas conceções ideológicas e educativas, o Instituto de Odivelas conheceu outras designações.
Após a implantação da República foram atribuídos dois nomes: a 6 de novembro de 1910 passou a chamar-se INSTITUTO TORRE E ESPADA e por diploma de 25 de maio de 1911 foi criada a “Obra tutelar e social do Exército de Terra e Mar” com a designação: INSTITUTO FEMININO DE EDUCAÇÃO E TRABALHO.
No Decreto-Lei n.º 32615, de 31 de dezembro de 1942 foram aprovados os atuais Estatutos e a nova designação: INSTITUTO DE ODIVELAS. O Despacho do Chefe de Estado Maior do Exército de 22 de abril de 1988 determinou: “Aprovo que o Instituto de Odivelas passe a usar a designação de INSTITUTO DE ODIVELAS (Infante D. Afonso)”.
Na comemoração do 110º Aniversário do Instituto de Odivelas esteve presente Sua Excelência o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva. Cite-se a Página Oficial da Presidência da República Portuguesa, aquando da ocasião comemorativa:
“O Presidente da República salientou, ainda, que o Instituto de Odivelas é uma instituição de elevada credibilidade, que interessa a Portugal acarinhar e incentivar, e da qual têm saído mulheres que têm prestado relevantes serviços ao País nas diversas áreas da cultura, das artes e das ciências, fazendo votos para que continue a preservar e honrar a sua história, as suas tradições e os seus princípios."
No próximo dia 14 de janeiro de 2012, o Instituto de Odivelas completará 112 anos.
A história deste estabelecimento militar de ensino é longa, rica e complexa, nos seus protagonistas, na adoção de diferentes planos de estudos, na criação e na implementação de práticas educativas já seculares mas então inovadoras e/ou únicas para a época. Com efeito, pelo Instituto de Odivelas passaram gerações e gerações de meninas e raparigas, de professoras e professores, de pessoal civil e militar, de diretoras e diretores…
Fontes consultadas:
Regulamento Interno do Instituto de Odivelas – 2011/2012;
SILVA, Cesaltina do Nascimento e LEITÃO, Maria Noémia de Melo, Instituto de Odivelas - 90 anos ao Serviço da Educação, Lisboa, 1990.